Lançamento do Prêmio Jabuti 2016

Leitor bom é aquele que lê os clássicos?

“A variedade de publicações e linhas editoriais que o nosso mercado atingiu está aí para atender a todos os públicos e a todos os gostos.”

Estivemos hoje no lançamento do prêmio Jabuti – o maior prêmio do mercado livreiro, o “Oscar dos Livros” –, que ocorreu na Academia Paulista de Letras.

Na foto (mesa), da esquerda para a direita: os professores Marisa Lajolo – curadora do prêmio – e Gabriel Chalita – presidente da Academia Paulista de Letras –, e os autores José Goldemberg e Pedro Bandeira.

Na abertura do evento, Luís Antonio Torelli, presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL) reafirmou o compromisso que a entidade tem com o fomento à leitura e com o mercado livreiro.

A professora Marisa Lajolo lindamente associou o nome do prêmio à fábula “O jabuti e a fruta”, na qual conta-se: havia uma árvore cujo fruto todos os bichos queriam comer; para fazê-lo, deveria se dizer o nome certinho do fruto. Mas uma mulher que morava longe tomava conta da árvore e deveria citar ao bicho o nome correto; porém, quando esse bicho se distanciava um pouco, a mulher citava o nome errado, para confundir. O jabuti foi o único que, com sua violinha, conseguiu memorizar e falar o nome certo e, mesmo tendo seu casco rachado pela mulher, foi até o fim. E então conseguiu muitas frutas, uma chuva de frutas. Disse Lajolo que assim é o nosso Jabuti [o do livro]: por meio das palavras certas consegue alimentar aqueles que têm fome.

Depois da fala inicial da professora, iniciou-se o painel dos quatro integrantes da mesa: José Goldemberg afirmou que o Jabuti é uma convalidação do esforço e do talento para a pessoa que recebe o prêmio. O escritor Pedro Bandeira disse que ainda não descobrimos como fazer o Brasil conhecer e vibrar pelo Jabuti, que falta propaganda, que deveríamos (público em geral) gostar do prêmio tanto quanto gostamos do Oscar. Já Gabriel Chalita afirmou que no Brasil há falta de continuidade das políticas públicas, o que é um problema para a Educação, a qual é um processo [demora mais que um simples mandato].

O público espectador teve a oportunidade, então, de fazer comentários e perguntas aos quatro participantes. Dentre outros, os comentários versaram acerca de: o brasileiro tem lido sim, porém muito mais conteúdos de internet; qualidade dos livros distribuídos nas escolas; e o hábito de leitura de best-sellers. Quanto a este último, colocou-se o questionamento se não deveria ser incentivada a leitura dos grandes clássicos e não dos livros mais comerciais.

A mesa defendeu, com o que o Profissão Editor concorda: não importa o que o leitor escolhe ler. Não podemos ter a pretensão de arbitrar sobre o que o outro lê. E não devemos ser elitistas e achar que apenas um tipo de livro é bom e instrutivo. O importante é formarmos uma nação de leitores  – que, de acordo com a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, tem aumentado (timidamente, mas tem).

Temos de oferecer conteúdo com qualidade sim, mas não necessariamente a única leitura que serve é a chamada “alta literatura”, ou clássicos (como preferir). Se o jovem prefere ler John Green e Jojo Moyes a Machado de Assis, por que não? Se o geek prefere ler um quadrinho a ler Joyce, qual é o problema?

Também adoramos os clássicos, mas não acreditamos ser a única possibilidade de leitura e fonte de conhecimento. Todo universo tem o seu grande valor e o seu papel na contribuição da cultura.

A variedade de publicações e linhas editoriais que o nosso mercado atingiu (ainda bem!) está aí justamente para isso: para atender a todos os públicos, a todos os gostos. E viva a diversidade de gêneros textuais!

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