Aquisição / Prospecção de obras

A editora adquire livros? Ou só os vende?

Sim, antes de publicar um livro, a editora precisa “adquiri-lo”. Esse processo é chamado de aquisição, ou prospecção, de obras. Há alguns caminhos: o original chega ao editor, o editor prospecta obras para o catálogo, ou, ainda, prospecta o autor e, juntos, concebem a obra.

Algumas editoras têm um profissional que se dedica exclusivamente a isso: é o chamado editor de aquisições (o nome pode variar, a depender da empresa). As aquisições ou prospecções podem também ser feitas por um editor geral ou publisher, que poderá cuidar de todo o processo de publicação – desde a seleção desse original até a publicação efetiva do livro, que é o nosso caso atualmente (Larissa e Lindsay).

Para facilitar, vamos desmembrar a aquisição em títulos nacionais e estrangeiros – o que também às vezes funciona separadamente numa editora, às vezes é concentrado num mesmo departamento ou editor.

No caso de títulos nacionais, é muito comum no mercado brasileiro o autor procurar a editora e enviar o seu original para avaliação. Ao fazê-lo, o autor deve antes estudar o perfil da editora e verificar se este se encaixa à obra. Não adianta enviar um romance romântico para uma editora que só publique ficção científica, por exemplo. O editor também pode fazer a captação do livro ou autor, por meio de Wattpad, Youtube e prêmios.

Uma vez que o original é aprovado, será firmado um contrato entre autor e editora. O percentual de direito autoral, em geral, fica entre de 8% e 10% do valor do livro, e a editora deve produzi-lo e publicá-lo em até 18 meses, e o contrato gira em torno de 5 a 7 anos.

Já no caso de obras estrangeiras (traduzidas), geralmente o publisher/editor de aquisições toma outro caminho: fica antenado na lista de best-sellers estrangeiros, como The New York Times (especialmente livros dos EUA e do Reino Unido, que são os mercados atualmente mais fortes para a tradução no Brasil) e visita diariamente sites como Goodreads, Publishers Marketplace, e fica de olho em quais autores ganham prêmios na categoria.

Além disso, é inevitável, especialmente para quem trabalha com traduções, que mantenha relacionamento com as agências literárias estrangeiras e nacionais. A negociação, nesse caso, será com esse agente, que ganha um percentual em cima do direito autoral. No Brasil, a agência literária mais famosa é a Riff, que representa inúmeras editoras estrangeiras. Existem muitas outras agências nacionais também, como a Schindler e a IECO. Dentre os agentes e editores internacionais mais importantes, podemos citar: Wylie, Trident Media Group, Custis Brown, Hachette, Gallimard, HarperCollins, Little Brown, Macmillan, Random House, RDC Agencia Literaria, Simon & Schuster, St. Martin’s Press, Bloomsbury e Tassy Barham – esses são apenas alguns. Uma vez que você tenha contato com os agentes literários, receberá por e-mail as novidades e os chamados rights guides, ou catálogos, de títulos à venda. Se algo interessar, peça o PDF para avaliação e envie o retorno depois.

Em relação a obras estrangeiras, há outro papel: o do Literary Scout. Ele é um “olheiro” contratado pela editora, que fica antenado no mercado estrangeiro; envia à editora relatórios semanais e alguns e-mails avulsos caso haja alguma obra muito quente no mercado. A contratação do Scout permite que a editora chegue na frente na compra de direitos autorais estrangeiros.

É importante, ainda, que o publisher frequente as feiras de Frankfurt (a mais importante), Londres, Guadalajara (importante para o mercado latino-americano) e Bolonha (importante para livros infantis). Na feira de Frankfurt, por exemplo, há um grande número de apresentações de originais e negociações – existe, sempre um preparo antes do evento, uma vez que você só pode se reunir com os agentes se agendar horário previamente. Nessas feiras, você também entrará em contato com livros e profissionais do mercado livreiro mundial.

Lindsay Gois na Feira de Frankfurt 2013, quando o Brasil foi o país homenageado

Um planejamento dos lançamentos da editora é fundamental, a fim de que você tenha em mente quantos títulos precisa prospectar para o próximo ano, por exemplo, pois as obras têm um prazo em contrato para serem publicadas.

O mais importante na hora de avaliar um título: entenda a linha editorial de onde trabalha – não adianta prospectar um título de soft business se a sua editora trabalha com autoajuda, ou comprar um livro de terror se o seu público leitor é de romance erótico –, ou tenha um planejamento ou estratégia no caso de o título for de perfil diferente de sua linha editorial.

Não detalhamos todos os mercados (nos focamos mais no trade) e não detalhamos tudo o que ocorre na aquisição de obras. Mas caso ainda surja alguma dúvida, teremos prazer em tentar esclarecê-la.

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