Tradução

No Brasil, são publicados mais livros traduzidos do que obras nacionais.
Por isso essa etapa da produção editorial é tão importante.

Não basta você ser fluente em duas línguas para ser um tradutor. Comunicar-se em uma segunda língua é diferente de traduzir, pois a tradução não é mera busca de sinônimos ou equivalência de palavras. Tradução é um intercâmbio cultural entre línguas – é como se transportássemos aquele texto para outra língua, mas pensando em vários âmbitos: morfológico, sintático, e, principalmente cultural. Para citarmos um exemplo explícito: se traduzirmos uma expressão idiomática ao pé da letra, ela não fará sentido na língua-alvo (naquela para a qual se está traduzindo); então o tradutor deverá encontrar uma expressão equivalente na cultura dessa língua-alvo.

Então, a tradução deve ser feita diretamente da língua original. Por exemplo, uma obra foi publicada em dinamarquês e depois foi publicada em inglês, não caia em tentação de traduzir do inglês porque é mais barato ou porque é mais fácil encontrar um tradutor inglês–português. Se já é difícil intercambiar essa equivalência cultural e linguística do original para a língua-alvo, imagine com uma língua intermediária no caminho? Precisamos respeitar a obra e os leitores, e fazer a melhor tradução possível – e tudo começa da tradução direta da língua original.

Tradução tem que levar em conta o estilo do original, mas também o público-alvo, ou seja, a linguagem deve sempre ser adequada ao leitor, sempre!

Editores devem procurar sempre um profissional qualificado, pois uma boa tradução economiza tempo e dinheiro nas próximas etapas – se for uma tradução ruim, não há preparação ou revisão que dê conta, e, além disso, você fica no jargão “o barato sai caro” (perdoem-me pelo lugar-comum). Não conhece nenhum bom tradutor? O melhor caminho é sempre boas indicações, mas se não consegui-la, verifique em livros em cuja qualidade você confia e veja o nome do tradutor na folha de créditos e tente buscar o tradutor no LinkedIn, por exemplo. Falando nisso: o tradutor deve ser creditado no livro; algumas editoras creditam na folha de rosto, outras na página de créditos e, até mesmo, na capa.

Outra possibilidade de contato com o profissional é procurar o editor do livro que você acredita ter uma boa tradução, pois ele pode te indicar o contato do profissional. Outro caminho é buscar alguém no Sintra – Sindicato Nacional dos Tradutores. No site, você pode buscar os profissionais filiados e ver os valores de referência – tradução literária, por exemplo, a R$ 34 a lauda de 2.100 caracteres com espaços (no mercado, pratica-se valores a partir de R$ 15, a depender da obra, do tradutor, da parceria que você firma, enfim, uma série de variáveis).

Uma vez que você escolheu um bom tradutor, é sempre bom testá-lo. Dica: escolha o primeiro capítulo do livro a ser traduzido por ele; se o profissional passar no teste, aquele capítulo já está pronto. Para profissionais com os quais já se trabalha, peça o primeiro capítulo tão logo esteja pronto, pois assim pode-se dar o feedback ao tradutor e acertar aquilo que eventualmente não tenham combinado na contratação (estilo, termos, padronização etc.).

E o que se deve combinar na contratação? Valor (tradutor ganha por lauda;  alguns lauda do idioma original, outros por lauda traduzida), prazo de entrega, estilo da linguagem (sempre de acordo ao público-alvo), padronização (se houver um manual da editora, envie-o), forma de pagamento. Você deve fazer um contrato de cessão de direitos de tradução (essa cessão é praxe no mercado editorial), no qual deve constar tudo o que protege ambas as partes – editora e tradutor (consequentemente, a obra e os leitores).

Se você vai contratar um tradutor para uma série, pense em contratá-lo para a série toda, porque o estilo deve ser mantido – tradutor é quase que coautor do livro na língua-algo, então, se o autor da série é o mesmo, não faz sentido mudar o tradutor. E se vai contratá-lo para vários livros, por que não propor um pacote de várias traduções e tentar melhores valores? Ambas as partes podem sair ganhando.

O imprescindível é que o leitor saia ganhando, sempre! É por ele que escolhemos ser editoras.

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