Dica Cultural: Filme & Livro: O Quarto de Jack

(por Larissa Caldin)

Como editora e amante de cinema, não poderia deixar de fazer, por menor que seja, uma pauta sobre o livro e o filme, indicado ao Oscar de 2015, O quarto de Jack (autoria de Emma Donogue, Verus Editora)

 

No entanto, a intenção deste post passa longe de concluir qual é melhor: filme ou livro. Busca, então, uma apreciação de ambas as linguagens articuladas entre si de forma perfeita, sensível, coerente e – quase – chocante.

Ambos – livro e filme – são narrados na visão de Jack, um menino que inicia a história completando 5 anos. Não entrarei em detalhes sobre a história, visto que é necessário o impacto da descoberta para a comoção; no entanto, é válido dizer que o ponto de vista iluminado da criança sobre algo totalmente sombrio torna o livro e o filme sensíveis e emocionantes.

O livro tem seus privilégios por poder utilizar a imaginação do leitor do começo ao fim. Uma viagem pelo quarto, uma descoberta nos pensamentos de Jack, de sua mãe; a inserção de uma criança virgem do mundo, que denomina o sol, visto da claraboia, como “Deus”, e quando inserida na realidade nos diz, cal-ma-men-te: “Nos últimos dias, ando sempre a cair, o mundo é cheio de tropeções.”

O filme personifica tudo aquilo que foi lido em 350 páginas. Toda a imaginação em volta de Jack é maravilhosamente interpretada pelo ator-mirim (e de mirim só a idade) Jacob Tremblay. Brie Larson, ganhadora do Oscar de melhor atriz, também se destacou por conseguir interpretar cada dor, angústia e alívio da personagem Joy.

O livro é incrível, não cai no lugar-comum da apelação, mas nos mostra uma visão diferente do mundo, o que é subir uma escada para quem nunca viu uma… O filme tinha um desafio pela frente, conseguir adaptar em imagens toda uma linguagem sensível, iluminada e de um ponto de vista original dos sentimentos que rondam o quarto e fora dele… E conseguiu… E como conseguiu.

Dica cultural: Assista e leia O quarto de Jack… Se já quiser ler com a imagem formada, assista primeiro; se quiser viajar imaginando cada espaço do quarto, fisionomias de Jack e Joy e, depois, ver tudo isso personificado, então leia antes de ver!

“Eu estou no mundo há 37 horas. Eu vi panquecas e escadas e pássaros e janelas e centenas de carros e nuvens e a polícia e médicos e a vovó e o vovô. Eu vi pessoas com rostos diferentes e tamanhos e cheiros diferentes, falando ao mesmo tempo. O mundo é como todos os planetas da TV, mas ao mesmo tempo, e eu não sei para que lado olhar e ouvir. Tem portas, e mais portas. E por trás de cada porta tem outro lado de dentro. E um outro lado de fora. E as coisas acontecem acontecendo. Nunca para. Além disso… O mundo tá sempre mudando de luz e temperatura e tem germes invisíveis flutuando por toda parte. Quando eu era pequeno, eu só sabia de coisas pequenas. Mas agora eu tenho 5 anos, e sei de tudo.”

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