Entrevista sobre Livro Juvenil com Carla Bitelli

Os jovens leitores são verdadeiros fãs de seus livros e autores favoritos. Entenda um pouco como funciona o processo de edição de um livro juvenil

Entrevistamos Carla Bitelli*, editora com experiência em edição de livros juvenis, para entendermos um pouco mais desse mercado.

Profissão Editor: Quais características um livro deve ter para ser considerado uma obra juvenil (faixa etária, idade, gêneros, temas etc.)?

Carla Bitelli: Para ser classificado como juvenil, o livro precisa ser direcionado para o público jovem (idade média entre 11 a 18 anos); não há restrição de temas nem de gêneros, mas essa decisão de faixa etária costuma impactar a linguagem. É claro que mesmo essa característica de ser direcionado para o público jovem não é nem nunca foi obrigatória: alguns clássicos que hoje categorizamos como livros juvenis, como O apanhador no campo de centeio, não foram escritos para esse público necessariamente. Hoje, porém, há escritores que se dedicam exclusivamente a escrever para jovens.

PE: Em que mercados essas obras estão presentes?

CB: Os livros juvenis são uma fatia importante do mercado editorial hoje e estão presentes em mercados muito diversos. Os dois principais são, sem dúvida, o trade (mais comercial, com vendas focadas em livrarias) e o escolar (a literatura indicada pela escola).

PE: Qual o papel do editor nesses mercados (aquisição, edição etc.)?

CB: O papel fundamental do editor, não importa o tipo de livro que se publique, é selecionar as obras que serão publicadas, de acordo com o perfil da editora. No caso do mercado trade de literatura juvenil, a principal atuação do editor é na aquisição de títulos: encontrar o título e/ou o autor certos que terão sucesso em vendas. No caso do mercado escolar, há também o peso do autor e do título, mas a composição de um catálogo que consiga atender as demandas das escolas é um objetivo menos imediatista, sem dúvida. Há também os programas de governo, tais como o PNBE (Programa Nacional Biblioteca da Escola, atualmente suspenso), além de outros editais e compras de secretarias estaduais e municipais.

PE: Qual a diferença entre editar um livro juvenil nacional e estrangeiro?

CB: A principal diferença é a atuação do editor no desenvolvimento da história do livro, do texto mesmo. No caso de obras estrangeiras, compramos o livro tal como ele é; por mais que possamos alterar a embalagem (capa, formato etc.), não temos como alterar de fato o conteúdo, ainda que breves adaptações possam ser feitas. Já no caso do livro nacional, há um acompanhamento intenso com o autor: o editor pode e deve avaliar o original e discutir questões a serem repensadas ou melhoradas, quando houver; a intenção é sempre o aprimoramento daquela história e daquele texto.

*Carla Bitelli formou-se em Editoração pela ECA-USP em 2009. Trabalhou durante sete anos na linha de livros infantojuvenis e paradidáticos do atual Grupo Somos, primeiro na Editora Ática e depois na Editora Scipione. Lá, editou materiais diversos, desde obras informativas até coleções mais comerciais, impressas e digitais, sempre voltadas para o leitor jovem — dentre elas, A Linha Negra, livro vencedor do Jabuti na categoria Juvenil. Em 2015, começou a atuar como editora e preparadora de textos freelancer, atendendo a diversas casas editoriais.

Criou o Workshop para Autores de Literatura Juvenil, cuja proposta é auxiliar os autores a amadurecerem seus projetos literários. Mais informações pelo e-mail workshoplitjuv@gmail.com.

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