Editar: Produzir conteúdo.

Não produzimos o objeto livro, produzimos conteúdo, o qual PODE ser transformado em livro.

 

Muito se tem discutido sobre a importância dos eBooks no mercado editorial. Nota-se que ainda há uma parte de profissionais que continuam sentados em cima de sua máquina offset renegando qualquer forma de suporte que não a clássica – o livro físico, impresso, exposto em pilhas nas livrarias.

Esse pensamento é compreensível, caso tomemos como exemplo os produtores musicais, donos de locadoras e profissionais de todos os mercados que precisaram se atualizar aos novos suportes. No entanto, já passou da hora de nós, profissionais do mercado editorial, nos unirmos em busca de apenas um ideal: o incentivo à leitura, independentemente de qualquer suporte que ela esteja concentrada.

Pode parecer clichê e óbvia tal solução, mas o assustador é que, na prática, não é. A bipolarização entre físico e digital impede avanços e melhorias e, consequentemente, parte o mercado em dois. De um lado, alguns grandes grupos editoriais defendem com unhas e dentes que o digital não vingará no Brasil e continuam concentrando livros específicos e minuciosamente selecionados em pilhas e pilhas nas livrarias; de outro, pequenas editoras, escritores independentes prezam pela transmissão de conhecimento, transmissão de conteúdo, independentemente do suporte que o abrigará.

Nota-se que a bipolarização é mais do que simples gosto (prefiro físico, prefiro digital), mas perpassa pela questão da concentração de conteúdos em determinadas mãos – a das grandes editoras. Com outros suportes, o leitor estará a um click de selecionar o conteúdo que desejar e é isso que queremos: disseminação de conhecimento.

E não estamos aqui fazendo apologia ao digital, mas defendendo a concomitância dos suportes, a prevalência do conteúdo nas mãos do leitor.

Muitos leitores ainda preferem (e alguns vão continuar preferindo) o livro impresso. Prova disso é a fetichização em relação ao livro-objeto, aquele que traz projeto gráfico muito diferenciado; e há também quem diga que prefere tocar o papel, sentir o cheiro dele…

Também há consumidores que leem em ambos os suportes, às vezes o mesmo livro. Compra-se o impresso para ler em casa e o digital para ler no transporte público, por exemplo.

O fato é que não importa como o conteúdo chega ao leitor, o importante é que ele chegue, e de modo democrático – e com democrático queremos dizer que ele, o leitor, deve escolher onde, quando e o que quer ler.

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